19 de fevereiro de 2009

O Ladrão e a Visitante - Capítulo III


Parte I - Ele, o Tempo

Eu sou um ser constante, tenho muitos privilégios, mas nenhuma consideração por ninguém.

Passo em silêncio pela sua vida, mas você nunca esquece de mim. Olha pra mim quando acorda, olha pra mim ao sair de casa, olha pra mim no alto da torre, olha pra mim a qualquer instante que lembra que sou eu quem controlo sua estadia aqui nesse mundo.

Eu sou indiferente a seus compromissos, alguns me esticam, outros me desperdiçam, já outros me aproveitam o máximo, mas eu sou o mesmo para todos.

Ele tem raiva de mim, sem saber que a culpa não foi minha, como disse, eu sou o mesmo para todos, sempre fui assim. Se passo por aqui, nunca mais volto atrás, para alguns que querem descer dessa imparável linearidade, sugestiono conhecer minha amiga Morte, pois ela também passa em silêncio pela sua vida, mas diferente de mim, quase todo mundo a ignora.

Ele, o ladrão, sabe minha falha, se aproveitou dela por um momento, agora paga o preço desesperador de não seguir o que o Criador nos ordenou.

Hoje ele sofre, lamenta ter tido o privilégio de fazer o que muitos sonharam fazer.
Hoje, ela é tudo o que tem, como se a loucura e o fascínio viesse junto aquele dispositivo promissor.

Eu sou um ser constante, continuo ao seu lado, assim como estarei ao dela, mas diferente de todos vocês, lamento não demonstrar consideração a ninguém.

Muito prazer, eu sou o Tempo.

Parte II - Ela, a Distância

Eu sou um ser constante, considerada "muita" para alguns e "pouca" para outros, eu nunca mudo, pois na verdade sou a mesma para todos.

Sou medida, estudada, vendida, disputada e sempre comparada com meu grande amor platônico, o lindo e apressado Tempo, que infelizmente, diferente de mim, nunca para.

Eu não conheço Começo e não conheço Fim, não sinto falta nem enjoo de ninguém, pois pra mim todos estão tão pertos e tão longe ao mesmo tempo.

Ela não tem raiva de mim, pelo contrário, a visitante aproveita para conhecer sempre um pouco mais da minha imensidão.

No passado fui muito conquistada, todos queriam um pedaço maior de mim, e eu, passivamente aceitava a todos, não importando no retalho cultural que minha pele se transformou.

Ela não me conhece no sentido mais importante e essencial para o ser humano, ela não conhece o pequeno e estreito caminho que liga o coração ao cérebro. Para alguns que querem desconhecer essa imparável linearidade, sugestiono conhecer minha amiga Razão, pois ela também permanece constante em sua vida, mas parece ignorada quando o coração fala.

Hoje, ele é tudo que tem, como se a loucura e o fascínio viesse junto aquele dispositivo instantâneo.

Eu sou um ser constante, continuo ao seu lado, assim como estava ao dele, mas diferente de todos vocês, lamento não acompanhar a jornada que em mim trilham.

Muito prazer, eu sou a Distância.

1 comentários:

Leila de Carvalho Lourenço disse...

Bruuuuu .... tá ficando cada vez mais itneressante esse mini conto .. ^^) ... parabéns ... meu blog ficou no xinelo ... uaahuhuhua .. beijos

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